Talentos da música baiana recebem o Prêmio Caymmi


O Prêmio Caymmi de Música foi entregue nesta sexta-feira (18), na sala principal do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador, aos destaques da produção musical baiana em 2017. Os concorrentes foram selecionados durante o Festival Caymmi, realizado entre os meses de abril e maio, com patrocínio do Governo do Estado, por meio do Programa Estadual de Incentivo ao Patrocínio Cultural (Fazcultura).

“O Prêmio Caymmi retorna com a força deste festival. Hoje é um grande dia, o dia da culminância, em que a etapa que precedeu possibilitou a circulação de diversos talentos, em vários espaços públicos de Salvador. Retornou ao Passeio Público onde, há 50 anos, eclodiu o Tropicalismo e que, naquele momento, significava uma grande revolução e renovação no cenário cultural”, destacou o superintendente de Promoção Cultural da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), Alexandre Simões.

A premiação recebeu cerca de 500 inscrições. No total, 110 artistas da capital e do interior foram selecionados pela comissão julgadora para concorrer ao prêmio. “A gente tem uma grande diferença em relação a outros estados brasileiros. A cultura da Bahia está bem apesar das dificuldades, mas a gente está vivendo porque a gente tem o apoio também do Fazcultura, que é fundamental para que projetos como o Prêmio Caymmi aconteçam”, afirmou a diretora-geral do prêmio, Elaine Hazin.

A cerimônia de entrega dos troféus foi animada pelo Bandão Caymmi, que prestou uma homenagem à Tropicália. O cantor Saulo e a cantora Alice Caymmi, neta de Dourival Caymmi, também fizeram uma participação especial, junto com artistas que participaram do festival.

Destaques
Foram entregues prêmios nas categorias show, videoclipe, música instrumental e música com letra. Entre os 22 premiados, Giovani Cidreira ganhou como melhor intérprete vocal masculino e Flávia Wenceslau como melhor intérprete vocal feminino. Na categoria show, a cantora Luedji Luna venceu como revelação.
O melhor videoclipe foi ‘Bonecas Pretas’, de Larissa Luz; o melhor show ficou com a banda Pirombeira; a melhor música com letra foi ‘Instante para Lembrar’, também da Pirombeira; e a melhor música instrumental foi ‘Amálgama’, de Luã de Almeida.
Veja a lista completa dos vencedores:
Música com Letra: Instante pra se lembrar – Ian Cardoso / Pirombeira
Música Instrumental: Amálgama / Luã Almeida
Melhor Intérprete Feminino: Flavia Wenceslau / Por Uma Folha
Melhor Intérprete Masculino: Giovani Cidreira / Um Capoeira
Melhor Intérprete Instrumental: Raoni Maciel / Violão / Cadê João? e Giro do Sol
Melhor Arranjo: Ubiratan Marques / Branco / Orquestra Afrosinfônica
Melhor Produção Musical: André Luis Magalhães Costa Pinto / Maya / Kromosons Brazil

Show: Pirombeira
Melhor Intérprete Feminino: Livia Nery
Melhor Intérprete Masculino: Achiles
Melhor Instrumentista: Flaviano Gallo / Bateria / Santini Trio
Melhor Banda: Santini & Trio
Melhor Direção Artística: Jackson Costa / Show Celo Costa
Melhor Direção Musical: Ubiratan Marques / Show Nara Couto
Destaque Técnico: Fred Alvin / Iluminação
Melhor Produção: Humberto Vale Curujito / Skanibais
Revelação: Luedji Luna

Videoclipe: Bonecas Pretas / Larissa Luz
Melhor Direção: Glauco Neves e Bruno Souri / Modo Hard / Circo De Marvin
Melhor Fotografia: Pablo Moreno Pires / Canto Africano / Raquel Monteiro
Melhor Produção: Adriano Ribeiro / Modo Hard / Circo De Marvin
Melhor Roteiro: Luan Ragedo / Kamikaze / Dario Nunes Moreira

Jackson Costa abraça “Escolas Culturais” como caminho contra violência em Itabuna


“A gente só sai da condição que está se fizer valer esse projeto: unir cultura, educação e arte”

Por Celina Santos

O ator Jackson Costa não abre mão de manter os vínculos com Itabuna, ainda que esteja fazendo trabalhos no eixo Rio-São Paulo. Escolhido padrinho do programa Escolas Culturais, lançado semana passada no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, ele toma o papel como missão e acredita que a iniciativa seja um caminho para tirar a cidade do cenário de violência que a insere entre as principais da Bahia.

Como você recebeu a atribuição de ser padrinho do programa Escolas Culturais em Itabuna?

Como uma mãe que recebe uma criança e precisa cuidar dela. Porque é um projeto muito bonito, que pode tirar a gente dessa condição que nós estamos aqui na região, de descaso, de violência. Por que Itabuna está sendo a primeira? Eu perguntei ao governador. Eu acredito que Deus sempre faz a coisa certa. Itabuna é quem tá precisando muito, porque a gente precisa abrir horizontes para as pessoas se desenvolverem. A gente só sai da condição que está se fizer valer esse projeto: unir cultura, educação e arte. E a gente consegue.

Qual sua primeira impressão sobre o que viu no Colégio Modelo, escolhido como Escola Cultural?

Pelo que eu vi aqui hoje, estamos com tudo na mão. Às vezes a gente quer e não tem suporte pra realizar; mas aqui a gente está tendo o suporte dado pelo governador e não é uma coisa utópica, paternalista. Não é de cima pra baixo; é aproveitando o que já existe de estrutura física aqui nessa escola, mas também o que já existe de ações culturais aqui, integrando a sociedade. Então, eu recebo como uma responsabilidade muito grande, uma alegria de estar presenciando esse momento, a possibilidade de a gente sair das trevas e encontrar a luz através da educação e da cultura.

De que forma se dará a sua ação como padrinho do programa?

É uma responsabilidade, mas eu não vou fazer nada sozinho. A proposta dele [do governador Rui Costa] é que muitos – se possível, todos – se unam nesse propósito. Eu já vi que aqui tem muitos e a gente precisa é ter cada vez mais gente.

Está disposto a vir aqui constantemente para colocar ideias em prática?

Eu quero estar aqui o máximo de tempo que eu puder, conversando com a direção da escola, com os movimentos de arte que são da escola e da comunidade, que entrem nessa ‘Arca de Noé’ para a gente se salvar. Se eu puder estar aqui todo mês, eu estou; se for preciso, toda semana ou passar um tempo aqui, eu quero vir. Porque eu sou daqui, eu nasci aqui e eu vou fazer por mim. Eu fazendo pelos outros, vou estar fazendo pra mim; e fazendo pra mim, vou estar fazendo para os outros.

Você recebe, então, como uma missão para sua vida …

Como uma missão! Todos nós temos uma missão aqui. Acho que a grande missão não é a gente pensar em nós, é pensar no outro. Então, é um trabalho que proporciona o desenvolvimento criativo, espiritual, o desenvolvimento da sociedade, das pessoas. Estou aqui para fazer o que eu puder fazer.

 

Ilhéus terá representante em encontro de Política e Gestão Culturais da Bahia


Teatro Municipal de Ilhéus - Secom

Ilhéus participa nos dias 25 e 26 deste mês, do IV Encontro de Política e Gestão Culturais da Bahia, no Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana. Promovido pela secretaria estadual de Cultura (Secult), por meio da Superintendência de Desenvolvimento Territorial da Cultura, o encontro tem o objetivo de fortalecer as redes dos agentes culturais existentes na Bahia. e incentivar a criação e a consolidação de órgãos institucionais dos poderes públicos municipal e estadual, além de formar e capacitar gestores.

O encontro é dirigido para dirigentes municipais de cultura, legisladores, conselheiros, gestores sociais e pesquisadores, artistas, produtores e ativistas culturais, estudantes e cidadãos interessados na formulação coletiva de diretrizes, formação em cultura e a articulação em rede. Dentre as novidades está previsto o lançamento do Roda Cultura Bahia que percorrerá os territórios de identidade, a exemplo do Portal do Sertão, Baixo Sul e Recôncavo, com debates com o secretário de Cultura, Jorge Portugal e visita a pontos e entidades culturais dos territórios e participação em manifestações culturais.

O gestor cultural Pawlo Cidade opinou que esses encontros servem para fortalecer as ações culturais do município e do território. “Programas e projetos tendem ao sucesso quando criamos ações em que o estado se torna parceiro. Juntos, somos mais fortes. As políticas públicas de cultura tendem a se solidificar, sobretudo em Ilhéus, que pensa em descentralizar e desconcentrar os recursos da cultura”, assegura.

“Deu a louca na Branca” no Teatro Municipal de Ilhéus, com Cacau Potásio


Cacau Protásio - foto divulgação -estreia comédia no Teatro Municipal (1)

A comédia “Deu a louca na Branca” estará em cartaz de 11 a 13 de agosto, no Teatro Municipal de Ilhéus, protagonizada, pela atriz Cacau Protásio. O espetáculo que retrata as perspectivas, os sonhos e a imaginação de Walt Disney traz narrativa irreverente e descontraída que evoca um dos ícones de referência às experiências lúdicas do universo infantil, conforme diz o ator Cacau Hygino, autor da peça teatral, que tem a direção de Regiana Antonini.

O autor da comédia relata que “a personagem Sebastiana talvez seja daquelas pessoas que vivem no mundo da fantasia. Pelo menos é o que se pode imaginar de alguém que tenta convencer a todos de que é a Branca de Neve, aquela mesma dos filmes de Walt Disney”.

Ainda de acordo com Cacau Hygino, “com repertório de vivências bastante inusitado, Sebastiana narra sua cômica trajetória até o momento em que supostamente foi descoberta por Walt Disney, a quem atribui a responsabilidade por tê-la transformado na personagem mais famosa de todos os tempos. Apesar de sua notável fama, porém, ela guarda uma revolta por seu criador; ele é quem teria feito com que o público sempre a visse e a chamasse como branca, embora fosse declaradamente negra”.

Keketa comemora 20 anos de carreira com show no Teatro Municipal de Ilhéus


Keketa comemora 20 anos de carreira com show no Teatro Municipal de Ilhéus – Imagem divulgaçã

 

“Keketa 20 anos: meus acordes, minha história” é o show que está marcado para o dia 2 de junho, a partir das 20 horas, no Teatro Municipal de Ilhéus. Keketa sobe ao palco acompanhado de experientes músicos de sua banda ‘Circuito Fechado’ e de convidados especiais, a exemplo de Abdias (de Salvador), Anne de Cidra, Chica de Cidra, Délio Santiago, Herval Lemos, Itassucy, Grupo Mania de Pagode, Vine Love, além do Coral da Ceplac. De acordo com sua produção, o show se caracteriza por celebrar a sua história, bem como valorizar e difundir sua música em território regional.

No show, Keketa interpreta canções que marcaram sua história, pelos 20 anos de carreira. “Isso me rendeu uma linha do tempo recheada de músicas, aprendizado com pessoas que fizeram crescer profissionalmente, participações em diversos festivais de música, bares, carnavais, réveillons, muitas festas, consolidação da banda – e agora quero compartilhar isso com meu público”, lembrou.

Ao longo de sua carreira, Keketa interpretou diversas canções que trazem referência da MPB, do pop, do rock, do samba – sua paixão. O que fez dele um artista respeitado em Ilhéus e no sul da Bahia. “Durante os 20 anos de minha carreira passei por diversos tipos de experiências e essa data tão importante em minha vida não poderia passar em branco”, destacou.

Cartaz

Festival de cinema no Centro de Cultura de Itabuna


Divulgação VI FECIBA Foto Renata Sant'Anna

O encerramento da sexta edição do FECIBA – Festival de Cinema Baiano começa nesta quinta-feira (09/06) em Itabuna, no sul do estado e segue até o próximo sábado (11/06), no Centro de Cultura Adonias Filho. Com grande parte da programação gratuita em todos os três dias de evento, o público poderá assistir a 25 filmes, entre curtas e longas metragens de ficção, animação e documentário, curtir exposições com artistas locais, além de participar de intenso debate acerca do universo cinematográfico baiano e brasileiro.

O início do festival se dará com a abertura da oficina de direção de fotografia, que sob o comendo de Jeronimo Soffer, seguirá acontecendo em todas as manhãs. Às 18:30, como parte da cerimônia de abertura e dentro do ciclo de homenagens ao ator Mário Gusmão, o espetáculo “Anjo Negro”, produção do Grupo de Afro do Encantarte, será apresentado, seguido do filme “Hereros Angola”, de Sérgio Guerra, dentro da Mostra Atualidades. O documentário retratam os nativos do sudoeste de Angola, na África, os hereros,  um povo de história milenar que preza pelos ensinamentos familiares e pela passagem de conhecimento e de costumes de uma geração para outra.

No sábado às 10:00, a Mostra Infanto-Juvenil exibe a animação “O menino e o mundo”, de Alê Abreu, que concorreu ao Oscar de melhor animação este ano e os curtas “Alguma coisa na vida”, do Coletivo LEM e “Como dissecar uma menina malina”, de Deoveki Silva. No início da tarde, às 13:30, a Mostra Bahia Adentro traz os filmes “Tom da Terra”, de Victor Brasileiro, “Candeias”, de Felipe Wenceslau e Augusto Pessoa, “Coroas” de Isaac Donato e Marília Cunha, “A morte no cinema”, de Evandro de Freitas e “Lira”, de Rava Midlej.

Às 15:30, dentro da Mostra Retrospectiva, a exibição de “Anjo Negro”, de José Umberto, dá continuidade à homenagem ao ator Mário Gusmão, que protagonizou o filme. Em seguida, às 17:30, a Mostra Competitiva exibe pela última vez o Programa 1 composto pelos curtas “Cordilheira de Amora II”, de Jamille Fortunato, “Órun Àiyé: A Criação do Mundo”, de Jamile Coelho e Cintia Maria, “Neandertais”, de Marcus Curvelo, “Entroncamento”, de Maria Carolina e Igor Souza e “Retomada”, de Leon Sampaio. Às 19h, os filmes “Tudo que aprendemos juntos” de Sérgio Machado e “Rotas da Marrabenta – Música moçambicana em movimento”, de Maurício Oliveira, encerram o segundo dia de programação dentro da Mostra Bahia Afora

No sábado, às 10h, a mesa redonda “A linha de fronteira se rompeu” contará com a participação do cineasta e ex-Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV/MINC), Pola Ribeiro, da realizadora e co-fundadora do Coletivo Gaiolas, Camila Camila, da poeta e professora Daniela Galdino e da escritora e criadora do CINEDUC – Cinema e Educação, Marialva Monteiro, que estará lançando na ocasião a terceira edição do seu livro “Cinema: uma janela mágica”. Às 15:30, a Mostra Sexualidades, que explora e discute a temática de gênero do cinema nacional e regional, traz os filmes “A seita”, de André Antônio e “Negra”, de Jaco Galdino.

Na sequência, às 17:30, ocorrerá a última exibição do Programa 2 da Mostra Competitiva com os curtas “Salitre”, de Lara Belov, “Sísifo do Vale”, de George Varanese, “Ana”, de Camila Camila, “IFÁ”, de Leo França e “Sandrine”, de Elen Linth e Leandro Rodrigues. Abrindo a noite de sábado às 19:00 a Mostra Atualidades, exibe o filme “A noite escura da alma”, de Henrique Dantas, um documentário experimental que aborda a ditadura militar e civil ocorrida na Bahia e tem sua linguagem desenvolvida no hibridismo entre o documental e a performance. Na sequência, na cerimônia de encerramento e premiação, o público irá conhecer os filmes vencedores da Mostra Competitiva de Curtas, nas categorias técnicas e de júri popular.

O VI FECIBA foi contemplado pelo edital 02/2015 – Agitação Cultural – Dinamização de Espaços Culturais da Bahia, vinculado ao Fundo de Cultura da Bahia – FCBA, promovido pela Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia e é uma realização do NúProArt – Núcleo de Produções Artísticas e da Voo Audiovisual.

Divulgação VI FECIBA  (1)

 

Show de Marcelo Ganem em homenagem ao Dia do Meio Ambiente


Marcelo Ganem

O show Serra do Jequitibá, do cantor e compositor Marcelo Ganem, neste domingo, 5 de junho, é uma das atrações da programação de encerramento do Projeto Agitação Cultural Buerarema 2016. Acompanhado de banda formada por músicos da região, ele enriquece a apresentação com participações especiais do grupo de danças sagradas de Dona Cosmira e coral formado por alunos da Escola Pequeno Príncipe. O evento acontece na Praça Domingos Cabral, às 18 horas.

Em 30 anos de carreira, Marcelo Ganem alinhou a rica produção musical às temáticas ambientais da Mata Atlântica, biombo que cerca Buerarema, a cidade onde nasceu e permanece até hoje. O burburinho da floresta tem sido a principal inspiração do músico, por isso os cinco discos produzidos ao longo deste tempo contêm tributos às águas, bichos, árvores e gentes da sua terra.

Poeta da natureza, Marcelo Ganem é um músico refinado e exigente, que não faz concessões à indústria fonográfica e continua lapidando o que aprendeu com mestres como João Gilberto, Tom Jobim e Chico Buarque. “Faço música para encantar o coração das pessoas”, diz o artista. Suas canções traduzem a beleza, generosidade e simplicidade da gente do cacau que habita o sul da Bahia e ajuda a preservar o que sobrou da Mata Atlântica na região.

O Projeto Agitação Cultural Buerarema começou em janeiro, com feira de artesanato e oficina de produção de chocolate orgânico e termina com apresentações das quadrilhas juninas, em junho, quando acontece também o Trezenário de Santo Antonio e apresentação da peça de teatro Dois Perdidos Numa Noite Suja. Realização do ‪‎Instituto Macuco Jequitibá, com apoio financeiro do Governo do Estado, por meio do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.

Trabalho voluntário devolve sorrisos em hospitais


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Por Evellin Portugal

Palhaços que podem ser considerados verdadeiros heróis, afinal, eles têm o superpoder de transformar tristeza em sorrisos. Assim são os voluntários da Operação Sorriso, que utiliza uma figura bem conhecida da criançada, para levar amor e alegria ao ambiente hospitalar.

O grupo, que tem como principal objetivo criar uma atmosfera mais leve e descontraída para pacientes, familiares e profissionais da área de Saúde, foi idealizado pelos amigos Cailan Barbosa, André Lucas, Bárbara Cruz, Bruno Bonfim, Gabriel Aquino e Matheus Araújo. As ações, iniciadas em 20 de maio de 2015, ocorrem sempre nas tardes de sábado.

Quase um ano depois de criada, a operação já conta com 18 voluntários, que desenvolvem um trabalho pautado na ética, solidariedade, respeito, humildade, isenção de preconceito e, principalmente, compromisso com o sorriso. São pessoas comuns, com pequenas ações, gerando grandes resultados.

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Fonte mostrou que a atuação dos palhaços humanizadores tem resultados positivos para todos os lados. As crianças apresentam evidências clínicas de melhora, ficam mais à vontade com o ambiente hospitalar e mais colaborativas com os profissionais de Saúde. Enquanto isso, os familiares e acompanhantes ficam mais confiantes em relação à melhora das crianças e até passam a brincar mais com as elas.

Já os profissionais de Saúde começam a buscar novas formas de aproximação com os pequenos e a reconhecê-los mais como crianças do que como pacientes. Além disso, se sentem mais calmos e satisfeitos com o ambiente de trabalho.

Ações

Apesar da figura do palhaço ser mais voltada para crianças, a Operação Sorriso já visitou também os idosos do Abrigo São Francisco de Assis. Atualmente, está apenas no Hospital Manoel Novaes, mas, de acordo com um dos integrantes do grupo, Matheus Araújo, o objetivo é retomar as visitas aos abrigos a partir do mês de maio. “No ano passado, as atividades eram semanais, mas surgiram novos integrantes e decidimos fazer de forma quinzenal, provisoriamente, para melhor elaboração dos trabalhos. Temos o foco de retornar à forma semanal, com a divisão de dois grupos, e também abrir vagas para novos integrantes”, revela.

Ainda segundo Matheus, o trabalho é realizado apenas em Itabuna, mas já existem relatos de pessoas que viram fotografias nas redes sociais e estão tentando implantar um projeto parecido nas suas cidades.

 

Amor

Quem participa conta que fazer parte da Operação é encontrar a felicidade no sorriso do outro. “A cada sábado sou surpreendida. Sempre aprendo algo novo e é gratificante saber que o que fazemos é para o bem do próximo. Posso definir tudo isso em um único sentimento: amor. Amor por esse trabalho e por essa família da qual faço parte. Neste grupo, descobri que a felicidade é algo sublime e muito simples. Para ser feliz, só é preciso fazer o outro sorrir”, garante Bárbara Cruz.

Outra voluntária, Nay Santos, afirma que poder amenizar o sofrimento das pessoas é algo satisfatório. “Com a Operação Sorriso, tive a chance de fazer isso da forma mais linda possível: fazendo-as sorrirem. Com o trabalho do grupo, aprendi a dar importância às coisas que realmente valem a pena na vida. Este projeto me proporcionou amadurecimento. Hoje eu não vou lá apenas levar alegria e descontração, é algo recíproco. Sinto que não poderia ter encontrado forma melhor de ajudar alguém”, conta.

Já Cailan Barbosa garante que sorrir sempre foi o melhor remédio. “Muitas vezes não temos noção do quanto uma atitude pode mudar uma vida; uma não, várias. Sabemos que ter fé e esperança é fundamental, mas o sorriso, em certos momentos, pode ser a cura para a solidão e a tristeza de estar num hospital”.

Cailan, que é um dos fundadores do grupo, conta que desde o início foi invadido por um sentimento para o qual não há definição. “É inexplicável. Nunca pensei que poderia me vestir de palhaço e ainda fazer as pessoas sorrirem. Quem me conhece sabe que sempre fui sério, mas posso dizer, de coração, que não sou mais o mesmo que era quando entrei no projeto. A alegria, os abraços, o carinho, os pequenos gestos das enfermeiras, dos acompanhantes e, principalmente, o sorriso das crianças mudaram a minha maneira de ser e de olhar o mundo”, analisa.

E esses sorrisos, segundo o voluntário, são como uma “injeção de ânimo”, pois dão alegria e vontade de seguir em frente. “Aparentemente, uma peruca, um nariz vermelho e uma roupa engraçada são coisas simples. Mas eu descobri que elas podem fazer a diferença na vida de outros e, principalmente, na minha”, completa Cailan.

 

Como participar

Os únicos requisitos para quem deseja fazer parte da Operação Sorriso são boa vontade e tempo disponível para visitas. A seleção para novos voluntários está prevista para acontecer em maio. Os interessados devem entrar em contato através da página no Facebook (www.facebook.com/operacao.sorriso.5) ou, se conhecer, falar diretamente com alguém da equipe.

Os novos integrantes passam por um treinamento que dura dois sábados. No primeiro, conhecem o projeto e as instalações do Hospital Manoel Novaes. Já no segundo, observam o trabalho dos membros. A partir daí, já estão prontos para fazer a alegria do pessoal.

 

Um ranking na educação que orgulha Itabuna


Por Evellin Portugal

Segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), dos 5,8 milhões de alunos que fizeram as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2015, apenas 104 alcançaram a nota máxima de redação. Ou seja, uma porcentagem de aproximadamente 0.002% dos inscritos. Nesse grupo de campeões, estão os estudantes Lucas Trevizan e Taila Laisa Fernandes, ambos de 19 anos.

Em entrevista ao Diário Bahia e à Revista Bellas, eles falaram sobre a surpresa e alegria que tiveram ao consultar a nota da prova. “Logo de início, não acreditei. Cheguei a pensar que pudesse ter ocorrido um erro com o sistema do MEC. Abri e fechei várias vezes a página para ter certeza. Até pedi para um colega meu abrir meu boletim na casa dele para ver se era a mesma nota”, relembrou Taila.

A aluna, que é de Guanambi e veio para Itabuna fazer curso pré-vestibular e de redação, afirmou que ligou chorando para o professor, Ronaldo Mendes, para contar a novidade. “Só sabia dizer muito obrigada por ele ter acreditado, por não ter desistido de mim e por ter tido toda paciência do mundo para me ensinar a como escrever um bom texto. A sensação foi inexplicável. Fiquei ainda mais surpresa quando soube que em todo o Brasil foram apenas 104 alunos que tiraram 1000 pontos na redação. Me senti privilegiada”, desabafou.

Para Taila, a preparação foi fundamental para obter a nota máxima. “Durante o curso, trabalhamos muito com as técnicas de redação do texto dissertativo, discutimos muitos temas e produzimos muitos textos, inclusive sobre o tema da violência contra a mulher, que foi trabalhado em sala algumas semanas antes da prova. Levei um susto quando li a proposta. Foi ótimo, mas não imaginava que me sairia tão bem. Esperava uns 900 pontos. Já seria ótima para mim essa nota”, revelou.

A mesma emoção foi relatada pelo itabunense Lucas Trevizan, que desde o começo do ano passado cursa Medicina na Universidade Federal do Vale do São Francisco, em Petrolina. “Mesmo tendo a sensação de ter ido bem, não esperava conseguir 1000 pontos. Eu tive essa sensação, porque basicamente mantive a lógica das provas passadas nas quais eu fui bem. Além disso, o tema era mais fácil”.

Segredo

Quando questionado sobre o segredo que o levou à nota máxima, Lucas contou que o hábito da leitura foi fundamental. “Não tem segredo. O resultado está ligado à leitura e à produção de textos. Redação é treino”, atestou.

Igual opinião é compartilhada por Taila. “Eu nunca fui muito bem em redação e não sabia o porquê, até meu professor dizer que ‘quem não lê bem, não escreve bem’. Durante o ensino fundamental, eu tirava boas notas e achava que redação era apenas contar uma história ou falar um pouco sobre como foram minhas férias. Quando cheguei ao ensino médio, percebi que produzir textos não era algo tão simples quanto parecia. Foi aí que eu senti a necessidade de fazer um curso particular para melhorar o meu desempenho”, detalhou.

Ao iniciar o curso de redação, ela logo percebeu que a prática faz toda diferença. “Como o professor Ronaldo repetia em quase todas as aulas: “só se aprende a escrever, escrevendo”. Acredito que esse é o grande segredo para se alcançar uma nota máxima em redação: ler bastante e produzir muito”.

Dedicação 

Como cursa Medicina, Lucas Trevizan não tinha muito tempo para se dedicar a outras coisas que não fosse a faculdade. Ele contou que, para se sair bem no Enem, buscou relembrar os assuntos que já havia estudado anteriormente e contou com a experiência dos últimos exames. Por coincidência, Lucas também já foi aluno de Ronaldo Mendes e diz que se baseou nos conselhos dados pelo professor na época em que fez o curso, já que o Enem exige um modelo de redação bastante específico.

Enquanto isso, Taila estudava de oito a 10 horas por dia e chegou a produzir 12 redações em uma semana. “Eu estudava em casa, na escola e em outros cursos particulares. Era muito cansativo, mas eu sabia que só assim eu poderia adquirir mais conhecimentos para poder aplicar nas provas. Quanto à redação, construía, em média, três ou quatro textos por semana. Às vezes, quando tinha um pouco mais de tempo e disposição, aumentava essa quantidade”, assinalou.

A estudante conseguiu ser aprovada no curso de Direito da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), mas ainda está decidindo se vai cursar, pois o sonho dela é ser médica.

Lucas, que fez a prova com a intenção de passar em Medicina na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) para ficar mais perto da família, também está na expectativa das próximas chamadas.

Dicas

Para os estudantes que estão tentando uma vaga no ensino superior, as dicas de Lucas Trevizan são: “leia bastante, pratique redação nos moldes do Enem e mantenha a calma e a tranquilidade, pois isso é fundamental na realização da prova”.

Já Taila destaca a perseverança e dedicação como sendo fundamentais para alcançar os objetivos. “A minha dica é nunca desistir dos seus sonhos. Mesmo que pareça difícil, tem que se dedicar, se esforçar e continuar tentando. Aqueles que querem entrar numa faculdade, devem abrir mão de algumas coisas e focar nos estudos. Os que puderem, procurem a ajuda de um bom professor “.

O professor

A Revista Bellas também conversou Ronaldo Mendes, o professor de redação tão falado e elogiado pelos alunos entrevistados. Para ele, ter dois alunos pertencentes ao seleto e privilegiado grupo que alcançou a pontuação máxima na redação em 2015 dá a “sensação maravilhosa de dever cumprido e de que o trabalho realizado valeu a pena”.

“Além disso, serve para mostrar que a qualidade de ensino não está restrita às capitais ou aos grandes centros urbanos do Sul ou Sudeste do País, mas que no Nordeste, na Bahia, no interior do estado, é possível encontrar bons professores e alunos esforçados e dedicados, capazes de ser destaque nacional, como o que aconteceu com nossos alunos”, completou o professor.

E os protagonistas dessa reportagem não foram os únicos que se destacaram em seleções de acesso às universidades. Ronaldo faz questão de lembrar que ele foi o único professor em Itabuna e região que conseguiu obter esses resultados no Enem 2015 e que, em anos anteriores, outros alunos dele também tiraram nota 1000 na prova de redação. “Tivemos aluno aprovado em Medicina na USP, uma das mais conceituadas e concorridas faculdades do Brasil. Além disso, dezenas de alunos com notas 980, 960, 940, 920 e 900 na prova de redação”, exemplificou.

No caso específico de redação, o professor destaca o hábito constante de leitura. “A preparação daqueles que almejam ingressar no ensino superior passa por critérios individuais como disciplina, dedicação, determinação e, sobretudo, vocação. Ler é, de fato, condição primordial para escrever bem. Logo, é necessário que o aluno faça um trabalho paralelo e simultâneo com estratégias de leitura e técnicas de escrita, o que se constitui, na atualidade, um desafio permanente”, finalizou.

Legenda 1: Lucas Trevizan já é estudante de Medicina

Legenda 2: Taila Laisa foi aprovada em Direito na Uneb

Legenda 3: Ronaldo Mendes, professor de redação